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5 de jan. de 2011
James Cameron critica Harry Potter novamente
O diretor James Cameron, de 56 anos, que fez sucesso por ser diretor e roteirista, dos filmes Titanic e Avatar, deu uma entrevista à Der Spiegel criticando as sagas cinematográficas, e criticando Harry Potter, novamente.
ϟ "Hollywood está sem ideias. Está regida pelo negócio das sequências e se roda numa segunda parte de algo que já teve êxito porque todo mundo já sabe como é importante que um filme já seja um marco antes de chegar nos cinemas."
Ele falou sobre a obsessão de Hollywood por transformar qualquer história em uma franquia , explorando a trama ao máximo. E usou Harry Potter para exemplificar:
ϟ "Essas franquias estão cada vez mais ridículas."
27 de nov. de 2010
Jornalista Zeca Camargo faz sua crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
O jornalista da Rede Globo, Zeca Camargo divulgou uma crítica sobre o filme Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 junto a uma crítica do documentário sobre a vida do piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna. Zeca Camargo faz uma comparação entre Harry Potter e Ayrton Senna e diz não ter gostado de Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1. Confira:
ϟ "Vi, no mesmo dia, dois filmes cujos personagens centrais eu tenho apenas relativa intimidade: Harry Potter e Ayrton Senna. Antes que os fãs de ambos protestem, queria deixar claro que, na minha amadora opinião de quem simplesmente gosta de cinema – e não tem nenhuma pretensão de ser um crítico -, para gostar de um filme sobre determinado assunto não é necessário ser um “convertido”, estar imerso naquele tema, muito menos entrar na sala escura já com a certeza de que vai gostar do que vai ver. [...] O mesmo acontece com Senna e Potter. Com esse último – como os que acompanham este blog há algum tempo já sabem – eu tive uma relação tortuosa. Que, diga-se, chegou num equilíbrio razoável, quando, na época do lançamento do filme “O enigma do príncipe”, escrevi que tinha “feito as pazes” com o jovem mago. Mas deixe-me falar disso um pouco mais para frente. Antes, quero comentar sobre “Senna”, o filme – um excelente documentário sobre um dos maiores ídolos que o Brasil já teve. Decidi vê-lo logo que saí da sessão de “Harry Potter e as relíquias da morte – parte 1″. Ao sair não exatamente recompensado (já já falamos disso) de duas horas e meia na companhia de um herói da ficção, achei interessante ver se um herói da vida real teria o mesmo apelo na grande tela. E tive uma ótima surpresa! [...] Harry Potter? Passemos então ao mundo da ficção… Há mais de dois anos, ao falar sobre a saga “Guerra nas estrelas”, chamei sua atenção para esse tipo de narrativa arquetípica: “Na busca da verdade sobre seu passado – para preencher um vazio na relação pai/filho, que foi interrompida há tempos e de maneira traumática – e ainda procurando agregar sabedoria para construir um mundo mais justo, nosso herói passa por uma série de aprendizados para chegar cada vez mais perto de uma força universal capaz de comandar as grandes e poderosas correntes que regem o mundo num constante jogo de desequilíbrio – justamente, o bem e o mal –, caminho esse pelo qual ele enfrenta terríveis criaturas inimagináveis na vida do nosso planeta como o conhecemos, e mais toda a malevolência de vilões que possuem algo muito próximo da força que ele busca, porém o lado obscuro dela – obstáculos que ele atravessa com emoção e suspense, sempre guiado por um sábio (e ancião) mestre, que não apenas oferece pensamentos iluminados aqui em momentos-chave da aventura, mas também é o detentor de segredos que vão ajudar nosso herói na sua conquista final”. Essa é mais ou menos a trajetória de Luke Skywalker, nosso herói de “Guerra nas estrelas”. Mas ela também pode ser empregada para descrever as aventuras de nosso querido Harry Potter! Cada geração precisa de histórias como essa para satisfazer nossa fantasia – e, quem sabe, encontrar alguma equilíbrio no caos que vamos percebendo que é o mundo, à medida em que vamos crescendo. Longe de mim acusar J.K. Rowling de plágio – essa história é tão, como disse, arquetípica, que, se procurarmos bem, vamos ver coincidências até com as histórias dos Argonautas da mitologia grega! O que quero ressaltar aqui é justamente a relevância de um herói como Potter, que sempre existiu no imaginário humano – e deve reaparecer de outras maneiras para as próximas gerações (ou assim espero!). Porém, ao assistir a “As relíquias da morte”, eu me senti ligeiramente trapaceado – como se, pela primeira vez na saga (que já soma sete longas-metragens), eu não houvesse encontrado o que eu tinha pago (um ingresso) para ver… Não é novidade para ninguém que o último livro escrito por Rowling sobre o aprendizado de Potter (outros podem vir sobre a vida adulta do mago, por que não?) foi dividido em dois para ser adaptado às telas. A princípio isso pareceu uma descarada estratégia para ganhar mais dinheiro em cima de um “franchising” que tinha seus dias contados. No entanto, num enorme esforço de mídia, diretores, produtores, e elenco, se desdobravam para convencer o público de que a história original do último livro era tão “densa” que exigia mais tempo na sua transposição para o cinema. Ora… Tendo lido “As relíquias da morte” por inteiro, posso afirmar que o roteiro adaptado tem os mesmos problemas do original – “barrigas” longas demais, em passagens que parecem querer apenas ganhar tempo para nos levar ao “grande confronto final”. Quando li o livro, cheguei a comentar de “longos hiatos onde a ação é retratada numa velocidade glacial” – e o filme foi fiel a isso (o que dá um crédito duvidoso ao diretor David Yates). A sequência mais notória nesse sentido é aquela em que Potter, Hermione e Ron, perambulam acampados numa floresta – ora protegidos por um campo de força, ora vulneráveis a raptores (se bem que nunca fica claro o critério para eles estarem seguros ou não, mas quem sou eu para reclamar de um roteiro que presume que o espectador já sabe de tantas coisas que nem é preciso explicar tudo à minúcia…). Já no começo abrupto – uma fuga em massa para confundir Voldemort sobre o paradeiro do “escolhido” – fica claro que “Relíquias da morte” não faz questão de conquistar nenhum fã novo de Harry Potter. Não leu nenhum livro nem assistiu a nenhum filme até então? Problema seu! A história segue como se os detalhes das milhares de páginas dos volumes anteriores – ou mesmo as horas das suas versões para o cinema – estivessem tão frescos na memória do espectador como a última “twitada” que você recebeu do seu melhor amigo. Tudo bem, não vou implicar com isso… Mas se o filme tivesse tido a generosidade de dar um pouco mais de contexto, talvez fosse mais fácil entender (ou lembrar), por exemplo, por que Potter fazia tanta questão de visitar Batilda. Ou por que Ron fica tão incomodado com a proximidade entre Potter e Hermione. Ou ainda, por que Bellatriz quer tanto “pegar” Potter pessoalmente. Ou, no mínimo, o que é um “horcrux” e por que eles querem tanto descobrir onde estão “os que faltam destruir” – fala sério! (Brigada do “spoiler”, segurem o chilique. Se vocês estão tão preocupados com o que é dito ou não sobre o filme, que conta exatamente o que está no livro, é porque você não leram “Relíquias da morte”… E se vocês não leram “Relíquias da morte”… Vocês deveriam estar tão preocupados assim com Harry Potter?). Eu não me incomodaria talvez com tantas “pontas soltas” se o filme fosse mais, hum, “redondo”. Mas ele termina sem nenhum gancho para chamar para o episódio “derradeiramente” final (o pleonasmo é proposital!), e fez com que eu me sentisse extremamente alugado de ter investido mais de duas horas da minha atenção nele. E olhe que eu nem sou um fã “cinco estrelas” de Potter – posso só imaginar o que um garoto, ou uma garota, que se dedicou a seguir toda a história (em livros e em filmes) deve estar sentindo… Contudo, como já manifestei hoje mesmo, minha relação com Harry Potter é tortuosa. Já “brigamos” e já “fizemos” as pazes ao longo desses anos todos, e nada impede que no lançamento de “Relíquias da morte – parte 2″, em meados de 2011, eu volte a me divertir com ele. Mas, por enquanto, o ídolo que aprendi a admirar ao longo de quase uma década, não me parece o mesmo. Na improvável comparação entre Senna e Potter, nosso piloto está ganhando com uma volta de vantagem. Só comprovando que – aliás, como diz a própria canção de Elis já citada aqui – “viver é melhor que sonhar”…"
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Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
23 de nov. de 2010
Roteirista de Lost fala sobre seu fanatismo por Harry Potter e de não ter gostado de HP7:Parte 1
O roteirista da famosa série de televisão americana Lost, Damon Lindelof, fez uma crítica para o jornal Daily Beast onde ele fala que gosta da série Harry Potter. Na crítica, ele diz não ter gostado de Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1. Damon Lindelof elogia bastante o trabalho de J.K. Rowling e principalmente o livro, Harry Potter e as Relíquias da Morte. As adaptações nos cinemas também eram consideradas por Damon muito bem feitas, mas que em Harry Potter e as Relíquias da Morte o fato de dividir o livro em duas partes foi desnecessário. Veja a crítica a seguir:
ϟ “Eu sou um pottermaníaco. FANÁTICO. Li os sete livros pelo menos duas vezes cada, e acho humildemente que Jo Rowling é uma das maiores escritoras vivas de ficção popular, se não a maior. Não consigo dizer qual meu livro preferido. Dito isso, ‘As Relíquias da Morte’ é uma realização impressionante em termos de desfecho. Sempre achei os filmes ótimos também. Não é fácil adaptar fielmente o material original, e eles conseguiram. Quando eu terminei, eu percebi que estava chorando. Foi realmente lindo. Eu sempre achei os filmes são demasiadamente grandes. Tem sido uma tarefa fácil adaptar fielmente o material de origem,que é tão reverenciado, mas eles sempre conseguiram errar. Ainda mais impressionante é que, apesar de saber exatamente o que vai acontecer na história, eu fico realmente empolgado sempre que um novo filme de Harry Potter está prestes a sair. Desta vez não foi diferente. Saí do cinema em profundo conflito. A caminho do estacionamento, com meu cérebro tentando resolver um paradoxo complicado: se eu amei o livro, e o filme é incrivelmente fiel, como posso eu ter odiado tanto esse filme? E ainda mais angustiante … Com base na mesma lógica cuidadosa que eu usei para evitar perguntas como ‘será que não dava pra responder uma mísera questão?’ e ‘uma luz dourada no meio da ilha? sério?’. Será que isso quer dizer que eu não era mais um fã? Havia apenas uma explicação lógica, o filme foi realmente ótimo, eu estava de mau humor ou algo assim. Sim, deve ser isso! Pensando nisso, David Yates dirigiu um belo filme. Assombroso, emocionalmente profundo, e o visual era demais. E sem esquecer da realidade cada vez mais próxima do destino que aguarda o triângulo de Harry, Hermione e Ron. Claro que eu adorei. Exceto… Tudo isso deveria ter acontecido na primeira meia hora do filme. Eles não deveriam ter dividido o livro em dois filmes. ‘A Ordem da Fênix’ tem mais páginas e saiu-se muito bem com um filme só. Eu me senti sujo. Eu senti … que se aproveitaram de mim. Eu sei, eu sei, as pessoas possuem teto de vidro, mas mesmo assim… No final do sexto filme, Dumbledore diz que sobraram seis horcruxes para destruir. Matemática simples diria que eles devem destruir, ou pelo menos localizar, três no sétimo filme. Quantas eles destroem? UMA. Quantas outras eles localizam? ZERO. Precisava mesmo de UMA HORA de lamentação na floresta? E olha que eu adoro lamentos! E temos só CINCO MINUTOS de Snape? Sério? Como eles ousam? Mas há um ponto em tudo isso. E ponto é este: Eu ainda amo Harry Potter. Profundamente e profundamente. Vou ler esses livros para meu filho quando ele estiver velho o suficiente para não se aterrorizar com os dementadores. E estarei na primeira fila para ver ‘As Relíquias da Morte – Parte 2?, que com certeza eu chorarei no final, assim como no livro. Meu ponto é que eu ainda sou um fã. Um grande fã. E assim, eu sinceramente e verdadeiramente peço desculpas a todos aqueles a quem eu tenho ignorado suas opiniões sobre o fim de Lost. Vocês não deixam de ser fãs por isso. Na verdade, isso torna vocês pessoas honestas. Respeito isso. E peço mesmo desculpas por ter sentido o oposto antes. E eu estou realmente triste por nunca sentir o contrário”.
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Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
21 de nov. de 2010
O Vaticano não gostou de Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
Não é a primeira vez que a Igreja Católica critica Harry Potter. O Vaticano considera o filme Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 que estreiou esta semana em todo o mundo, um filme "assustador e pessimista" e com falta de humor. A rádio oficial da Santa Sé lamentou a estreia de um filme que os personagens principais, os jovens Harry Potter, Hermione Granger e Rony Weasley, estão demasiado "sozinhos e assustados para enfrentar os inimigos". "O último capítulo cinematográfico da saga está repleto de um profundíssimo pessimismo, de uma espessa obscuridade e de falta de humor. Não tem jogos, não existe camaradagem nem surpresas divertidas", refere o crítico de cinema do Vaticano, Luca Pellegrini, considerando que este filme não é de todo adequado a um público infantil. O órgão de informação defende que é preciso recuperar "os sentimentos e as virtudes em sintonia com o coração humano". Não é a primeira vez que o Vaticano critica a saga escrita por J.K. Rowling. Em Janeiro de 2003, o então cardeal Ratzinger (hoje Papa Bento XVI) era citado pelo diário Osservatore Romano dizendo que esta série "corrompe a alma dos jovens cristãos antes mesmo de estar completamente formada". Não se sabe se os produtores deram ou não ouvidos a estas críticas, mas a verdade é que os últimos episódios eram bastante mais luminosos e, em 2009, por altura da estreia do sexto filme, o órgão oficial da Santa Sé chegou mesmo a elogiar o filme, considerando-o "o melhor de todos" os Harry Potter. Harry Potter não é o único a provocar as críticas da Igreja Católica. Aliás, a luta entre Hollywood e o Vaticano é tão velha quanto o próprio cinema. Os motivos? Quase sempre de duas categorias: ou os filmes são acusados de retratar erradamente a Igreja e a sua história ( por exemplo, toda a polémica em volta de A Última Tentação de Cristo, de Scorsese) ou, o que também não é raro, as críticas são apontadas às atitudes "moralmente repreensíveis" dos que fazem os filmes. Actrizes sensuais, como Sophia Loren, Brigitte Bardot ou Marilyn Monroe, causaram cócegas aos católicos mais conservadores. Juntar sexo e religião é explosão certa. O filme Je vous salue, Marie, de Godard (1985) foi um dos mais controversos por contar a história de uma jovem que engravida, Marie, com óbvias ligações à história da mãe de Jesus. Em Portugal, a maior polémica deveu-se a António Macedo com o filme As Horas de Maria (1979) que punha em causa a virgindade de Maria - logo criticado pela Igreja, foi ainda motivo de manifestações, com grupos de pessoas reunidas à porta do cinema Nimas rezando o terço.
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Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
20 de nov. de 2010
Primeira crítica brasileira negativa de Relíquias da Morte - Parte 1
Cinema Com Rapadura
ϟ "Desde que o diretor David Yates assumiu o controle da franquia, “Harry Potter” passou a ter um destaque mais sombrio, com histórias que envolviam o pessimismo caminhando para um destino trágico das personagens que lutam para sobreviver ao domínio de Voldemort. No sexto filme, isso se dá por conta da fotografia obscura e também pela seriedade adotada pelo roteiro do filme, baseado no livro escrito pela britânica J.K. Rowling. De certa forma, Yates continua adotando este mesmo tom nesta primeira parte do filme “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, o último da saga que foi dividido em dois. Aqui, Harry precisa fugir dos Comensais da Morte, lutar pela sua própria sobrevivência e dos seus amigos, além de buscar uma forma de matar Voldemort para que Hogwarts, finalmente, consiga voltar à normalidade depois da morte de Dumbledore. É bem verdade que todo o elenco nesta primeira parte consegue atingir um grau de maturidade que evoluiu conforme a idade deles e também a história. O Harry de hoje, logicamente, não é o mesmo que se viu no filme “A Pedra Filosofal”, quando ele ainda estava chegando em Hogwarts, mas já precisava conviver com o fato de ter “Potter” em seu sobrenome. Neste sétimo filme, o amadurecimento das personagens possui uma ligação importante com a história, que não se passa mais nos corredores confusos e cheios de magia de Hogwarts. O Ministério foi destruído com a morte de Dumbledore e também com a traição de Snape. Quem está no comando agora é Voldemort e a sua mancha escura no céu vem causando terror e medo nos bruxos e nos trouxas, que começaram a deixar as suas residências para viver em outros lugares. Enquanto Voldemort segue com os seus planos de matar Harry Potter e de encontrar a varinha mais poderosa para realizar este feito, Harry é protegido pelos amigos que se sacrificam literalmente para que ele possa sobreviver – mesmo porque, Harry é o único capaz de derrotar “Você-Sabe-Quem”. Agora já adolescente, as decisões tomadas pelos seus amigos são questionadas por Harry, que se sente culpado e resignado por esta força e impulso que os outros bruxos estão realizando para mantê-lo em segurança. Se por um lado ele sente dessa forma em relação a estas pessoas, por outro ele confia plenamente em Rony e Hermione, os dois amigos inseparáveis que agora precisam encarar aventuras mais violentas e sombrias. Além disso, Harry ainda luta com os seus próprios fantasmas, com os seus sonhos inacabados, com a sua busca incessante por respostas, mas sem poder confiar em absolutamente ninguém. Tudo isso é retratado e adaptado com fidelidade por parte do time de roteiristas e também por David Yates que não sai do lugar-comum e filma apenas aquilo que é necessário. Algumas sequências de ação, que é um elemento que faz esta primeira parte andar, se tornam até mesmo confusas em certos momentos. Na cena de uma perseguição na floresta, por exemplo, Yates adota uma agilidade para tentar dar intensidade àquele momento, mas, na realidade, tudo o que ele consegue é deixá-lo apenas mais confuso. Por outro lado, a primeira sequência deste filme, quando Harry está sendo transportado para um local seguro, o diretor já consegue atingir bons elementos de perseguição que não se tornam repetitivos. Ao mesmo tempo em que vemos os bruxos duelando no céu, Yates também os coloca nas avenidas de Londres para brigarem entre si e isso dá um dinamismo maior à narrativa e também à própria cena. Ainda assim, como no filme anterior, ele consegue ter uma direção segura e faz o necessário para deixar a aventura dos bruxos mais ágil quando necessário,e também lenta quando esta característica é pedida. Em compensação, os aspectos técnicos de “Harry Potter e as Relíquias da Morte” são impressionantes. O som é extremamente alucinante, pois é possível se sentir invadido pela história quando ouvimos com bastante nitidez de que lado aquele som está partindo. A experiência de assistir ao filme dentro de um cinema é impressionante justamente por isso. O cuidado técnico da equipe de produção, seja com os efeitos especiais, visuais e sonoros, mostra também um amadurecimento e evolução dos filmes desde o primeiro que foi lançado. No entanto, a fotografia é um dos elementos que mais cresceram neste sentido. Eduardo Serra adota um tom sombrio em toda a sua narrativa, deixando o tom de azul invadir os cenários de uma forma que ele se torna ausente apenas nas sequências que se passam dentro de Hogwarts, que é tomada por um outro estilo de tonalidade. Se estes aspectos técnicos evoluíram e conseguiram alcançar maturidade quando inseridos dentro da história, os atores também possuem boas atuações novamente como foi no filme anterior. Daniel Radcliffe, sempre contestado por apresentar uma única faceta para a sua personagem, consegue se destacar em algumas cenas que possuem um valor dramático maior. Emma Watson, mais uma vez, demonstra uma capacidade incrível de se sentir confortável com a sua personagem. O mesmo acontece com Rupert Grint, ainda mais carismático neste sétimo filme, tendo espaço dedicado à descontração no qual ajuda dar até um tom de ironia e comédia em determinados momentos. Não sei, porém, se o livro escrito por J. K Rowling possui problemas de narrativa quanto à história, mas fica claro nesta primeira parte que o roteiro escrito por Steve Kloves carece de momentos surpreendentes ou de pontos-de-virada que possam trazer alguma surpresa. E já sinto os fãs mais fervorosos dizendo: “mas o filme precisa ser fiel ao livro”. E eu concordo com esta afirmação, mas, para quem não está familiarizado com o mundo criado por Rowling, o que é visto neste sétimo filme é apenas mais do mesmo. Algumas pessoas se mostram empolgadas com o filme – algo que é justificável -, mas a própria narrativa de David Yates segue por uma linha óbvia em que, às vezes, a falta de emoção dentro da trama é suficiente para que ele não empolgue um público que não é exatamente fã, mas que pode se sentir atraído por este universo. No ano em que o primeiro “Harry Potter” foi lançado aconteceu também a estreia de “O Senhor dos Anéis”, baseado no livro escrito por J.R.R Tolkien. Muitas comparações foram feitas entre os dois livros e, principalmente, entre os dois filmes. O que faz da obra de Tolkien superior a esta criada por J.K Rowling é o fato do primeiro fugir das obviedades que são vistas na segunda. Os dois filmes possuem um final conhecido: Frodo precisa ir para a Montanha da Perdição destruir o Anel e salvar a Terra-Média, enquanto que Harry Potter precisa seguir a sua trajetória para destruir Voldemort e recuperar a paz que foi quebrada entre os bruxos e os trouxas, e até mesmo entre os próprios bruxos. “Harry Potter – Relíquias da Morte”, no entanto, é um filme que consegue um efeito apenas de blockbuster sem chamar atenção para nada além do entretenimento. Existe, de certa forma, um certo envolvimento com a narrativa. Porém, em um determinado momento, ela começa a perder o efeito por ser cansativa e repetitiva demais, com Harry se escondendo nas magias de proteção enquanto tenta responder as suas perguntas. Entre erros e acertos, uma coisa é certa: Harry Potter amadureceu. E este amadurecimento é sentido nesta primeira parte. As reviravoltas ainda serão vistas (acredito eu). O final deixa aquela vontade de querer saber “o que vem depois”. E só esperando até o ano que vem para ver o duelo final entre Harry Potter (o Bem) e Voldemort (O Mal)."
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Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
19 de nov. de 2010
Novas criticas de Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
Cinema em Cena
ϟ "A saga (aqui, sim, o termo se aplica) Harry Potter teve início de maneira tão inocente que seu público-alvo abrangia espectadores que iam dos 5 aos 100 anos de idade. Embora já lidassem com a ameaça representada por Lorde Voldemort, os primeiros filmes investiam num tom leve e brincalhão, como se buscassem nos assegurar de que nada de grave poderia realmente acontecer aos personagens – e, assim, ver a irmã de Tio Válter inchando como um balão ou acompanhar uma agitada partida de quadribol eram eventos tão relevantes para a trama quanto os planos de Você-Sabe-Quem. Isso, porém, ficou para trás e, neste sentido, Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1 é tão recomendado para um espectador de 5 anos de idade quanto O Exorcista, já que sua narrativa já é iniciada com notícias sobre famílias trouxas assassinadas e logo traz imagens perturbadoras de um cadáver com os olhos abertos e prestes a ser devorado por uma cobra gigantesca, garantindo anos de terapia para a pobre criança que entrou no cinema esperando ver bruxinhos rindo de uma poção mal preparada. Completamente mergulhado num tom sombrio e tenso desde os primeiros segundos de projeção, Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1 (de agora em diante, Harry Potter 7.1) se passa em um mundo em guerra: cruzando a fronteira entre o mundo mágico e aquele habitado pelos trouxas, as maquinações de Voldemort (Fiennes) já atingem os humanos, obrigando a jovem Hermione (Watson), por exemplo, a apagar a memória dos pais e qualquer traço de sua própria existência a fim de protegê-los, ao passo que os cruéis tios de Potter (Radcliffe) finalmente têm seus piores temores sobre os bruxos confirmados ao serem obrigados a fugir rapidamente da casa na qual viveram por décadas. Assumindo o controle do Ministério da Magia, os Comensais da Morte agem como todos os ditadores que assumem através de um golpe de Estado, insistindo em assegurar a população de que tudo continuará a funcionar normalmente enquanto usam a força para suprimir qualquer oposição, empregando ainda a mídia como forma de repugnante propaganda. Perseguidos e amedrontados, Harry, Hermione e Rony (Grint) decidem então que a única chance que possuem reside na destruição das horcruxes que contêm pedaços da alma de seu inimigo e, assim, partem em busca dos objetos numa missão arriscada e exaustiva. Mais uma vez adaptado por Steve Kloves a partir do livro de J.K. Rowling, o roteiro cria uma atmosfera de desconfiança e paranóia que obriga os heróis a se certificarem constantemente de que aqueles que os cercam são realmente seus amigos através de perguntas específicas sobre experiências em comum – e a impecável fotografia de Eduardo Serra salienta este clima tenebroso através de uma paleta dessaturada que ora investe no cinza, ora no preto mais impenetrável – e o uso de locações desoladas e com ar pós-apocalíptico ressaltam a ameaça de um mundo controlado por Voldemort. Além disso, a câmera inquieta confere um tom realista à narrativa, que, ao empregar os termos fantasiosos criados por Rowling de maneira casual, como se fossem detalhes do cotidiano (“Accio!”, “estrunchou”), é hábil ao transformar o universo bruxo em algo absolutamente verossímil. Esta, aliás, revela-se a grande contribuição do cineasta britânico David Yates para a série desde que a assumiu em A Ordem da Fênix: especialista em obras de fundo político, o diretor parece encarar a franquia Harry Potter como uma oportunidade de usar a fantasia para desenvolver temas mais profundos e, assim, quando vemos o trio principal sendo atacado em uma lanchonete, Yates roda a cena como se esta trouxesse um atentado político comum, extraindo tensão da emboscada armada por dois fundamentalistas sonserianos – e a maior evidência das sérias intenções do realizador pode ser encontrada no desfecho da cena, quando uma garçonete trouxa sai da cozinha e encontra o caos: em vez de usar o choque da moça como piada (algo Chris Columbus, por exemplo, faria sem hesitar), o britânico imediatamente a leva a fugir do local apavorada, já que aquela situação não é algo que deva ser tratado como fonte de alívio cômico. Com longas passagens silenciosas que trazem os personagens tomados pelo cansaço ou pela pura depressão, Harry Potter 7.1 é também o primeiro filme da série a conseguir evitar completamente o tom episódico, sendo bem sucedido na complicada tarefa de ilustrar com eficiência a passagem dos meses e a extensão da jornada empreendida pelos heróis – e reclamar da “lentidão” da narrativa, neste caso, seria apenas um atestado da mais absoluta incapacidade de compreender as necessidades do projeto, exigindo ação inconseqüente de uma obra mais preocupada em retratar o desgaste de seus protagonistas. Beneficiado pelo sempre brilhante design de produção de Stuart Craig, o longa emprega os grandiosos cenários não só para construir um mundo mágico convincente, mas também para evocar seus aspectos mais sombrios – e, neste sentido, a seqüência que se passa no Ministério da Magia se destaca ao trazer vários ambientes que, mesmo exibindo estilos radicalmente diferentes, mostram-se coesos em seu tema principal (os tons escuros baseados no preto, no dourado e no roxo) e na inquietação que provocam (como o tribunal que parece composto de vários caixotes empilhados, massacrando o réu em seu centro). Além disso, Craig e sua equipe merecem aplausos pela atenção conferida aos detalhes, como ao trazer o gabinete de Dolores Umbridge (Staunton) escuro como todo o resto do Ministério, mas ainda assim exibindo vários dos objetos de decoração que se encontravam presentes em sua rosada sala em Hogwarts. Contando com efeitos visuais bem mais eficientes do que aqueles vistos no início da série, Harry Potter 7.1 finalmente traz o elfo Dobby (e também seu congênere Monstro) como uma criatura convincente e capaz, por isso mesmo, de protagonizar o momento mais tocante da projeção. Da mesma forma, David Yates consegue extrair tensão a partir do simples posicionamento de sua câmera, como ao enfocar Harry, Hermione e Rony a partir de ângulos mais elevados, deixando-os menores e mais vulneráveis, ou ao trazer Dolores Umbridge vista a partir de um ângulo baixo, tornando-a mais ameaçadora – e se isto não é particularmente sofisticado como linguagem, é eficaz o bastante para passar a mensagem que o diretor tem em mente. Sempre enriquecido por um elenco que inclui vários dos nomes mais relevantes do cinema britânico, o filme traz, como novidade, o escocês Peter Mullan como um ameaçador Comensal da Morte e Rhys Ifans como o pai de Luna Lovegood – um sujeito que oscila entre o hippie e o ativista político de forma curiosa. E se Ralph Fiennes continua corretamente ameaçador como Voldemort, Radcliffe mais uma vez é bem sucedido ao retratar o peso experimentado por Harry diante de sua perigosa jornada, ao passo que Rupert Grint deixa de lado as gracinhas de Ron ao trazê-lo tão farto de todas as tragédias que testemunhou ao longo dos anos que parece prestes a deixar a raiva dominar suas ações, mostrando-se tentado até mesmo a executar seus inimigos. Mas é Emma Watson quem, pela primeira vez na série, realmente se mostra encarregada de carregar o peso dramático da narrativa nas costas desde sua primeira cena, provando que a segurança trazida pelos anos a afastou daquela atriz-mirim engraçadinha que tendia ao overacting em todas as suas cenas. Aliás, é a dinâmica estabelecida entre estes três últimos que serve como fio condutor do filme – e Yates demonstra conhecer bem os personagens ao incluir, no meio da projeção, uma cena belíssima que, enfocando uma dança de Harry e Hermione, revela-se doce e triste ao trazer dois jovens buscando desesperadamente alguma fuga momentânea de uma realidade dura demais para ser encarada continuamente. Fugindo do padrão do restante da série ao incluir uma espécie de interlúdio que, através de uma animação estilizada, nos apresenta a uma fábula que desempenha papel importante na narrativa, Harry Potter 7.1 pode ser perfeitamente resumido através do plano que traz Hermione com as mãos sujas de sangue enquanto evoca, assustada, feitiços que possam proteger seus amigos – uma imagem bastante distante daquelas que traziam a menina como uma caxias que só pensava em tirar boas notas em Hogwarts (que, aliás, nem é vista neste filme). É natural, portanto, que logo no início do filme Harry surja revisitando com um ar nostálgico o famoso “armário sob a escada” no qual viveu apertado durante 11 anos – e embora o rapaz não diga nada, não é absurdo supor que, de certa forma, esteja constatando que aquela talvez não tenha sido uma época tão ruim quanto supunha."Revista Veja
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Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1,
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17 de nov. de 2010
Mais criticas brasileiras de Relíquias da Morte - Parte 1
G1
ϟ "Após ouvir Ron comentar que passou a noite em um pub e assistir a uma cena – de alucinação – em que Harry e Hermione se beijam nus, o sétimo filme com os três aprendizes de bruxos de J.K. Rowling não deixa dúvidas: de infantil, Harry Potter não tem mais nada. A primeira parte cinematográfica do último livro da saga, “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, estreia nesta sexta-feira (19) no Brasil. Trata-se do longa mais adulto e sombrio até agora e, de todos, também pode ser considerado como o mais “difícil”. “Harry Potter e as Relíquias da Morte” tem mais de duas horas de duração e emenda com o final do antecessor, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, que termina com a morte de Alvo Dumbledore, o que culmina na guerra entre Harry (Daniel Radcliffe), o escolhido, e Voldemort (Ralph Fiennes), o Lorde das Trevas, que ao lado dos Comensais da Morte tomará controle do ministério de magia e da própria escola de Hogwarts. Porém, antes da batalha final, Harry precisa destruir a imortalidade de Voldemort com a captura das horcruxes, uma lista de objetos em que ele depositou sua alma com o passar dos anos. Durante essa busca, sempre escorado por Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson), ele conhece um esquecido conto sobre as “relíquias da morte”, três poderosos objetos do mundo dos mortos: a capa da invisibilidade, a pedra da ressureição e a varinha de Sabugueiro – essa última almejada por Voldemort para matar Harry. Trata-se da boa e velha dialética entre e o bem e o mal, mas com os ricos detalhes da história criada por Rowling, cujos filmes anteriores arrecadaram US$ 5,4 bilhões em todo o mundo. Comparar aliás “Relíquias da Morte” com seus antecessores é ver a clara evolução que a série ganhou desde 1999. A trama, assim como os personagens, amadureceu e isso é refletido dentro do filme, não apenas superior aos outros esteticamente, mas também de roteiro e atuações. Nunca o trio de amigos esteve tão confortável em seus papéis e Radcliffe chega a ser engolido em alguns momentos por Emma e Grint, cujo romance velado rende momentos divertidíssimos. Também é de se elogiar os efeitos especiais e as cenas de ação, principalmente a presente nos elétricos 15 minutos iniciais do filme. Para despistar os comensais, que estão atrás de Harry, vários de seus aliados tomam a poção mágica polissuco e se transformam em clones do bruxinho. As cópias sobem em suas vassouras, enquanto o verdadeiro divide uma moto modelo sidecar com Hagrid (Robbie Coltrane). A perseguição que começa no céu e depois termina em uma via expressa é alucinante – é praticamente um “’Matrix’ juvenil”. Uma pena que toda essa adrenalina visual dure poucos minutos. O que impera depois são momentos bucólicos com o trio principal, com cenas sempre de belíssima fotografia e que ficam muito tempo presas a um certo assunto sem desenvolvê-lo rapidamente. Os fãs mais fervorosos vão elogiar a calmaria proposta pelo diretor David Yates e dizer que a escolha condiz com o clima do último livro, pois a sensação é que nada dele vai ficar de fora dos dois filmes. Já quem conhece o universo dos bruxos e trouxas apenas pelo cinema irá achar essa nova adaptação tediosa e que a escolha por dividi-la em duas partes não passa de mais um truque mercadológico para lucrar com o bilionário universo de J.K. Rowling."
Revista Época
ϟ "Quando Harry Potter e a pedra filosofal foi lançado nos cinemas em 2001, a adaptação extremamente ingênua e infantilizada da série escrita pela inglesa J.K. Rowling decepcionou muitos fãs. Nos filmes seguintes, apesar da considerável melhora da parte técnica das produções e do amadurecimento dos atores principais, a sensação de que os livros eram muito superiores aos filmes permanecia. A mutilação de trechos vitais da história e a fidelidade questionável à trama do bruxinho que sobreviveu a uma maldição da morte eram algumas das reclamações mais recorrentes. Agora, com Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 1, o cinema se redimiu com os fãs da obra de Rowling. O novo filme, dirigido por David Yates, é uma homenagem àqueles que sempre esperavam ver nas telonas o espírito da história da autora. Yates preserva a inventividade do texto de Rowling e consegue captar os valores e dilemas de uma aventura marcada por altruísmo, fé, autossacrifício, coragem e amizade. Relíquias – Parte 1 é uma produção para convertidos, ou seja, é dirigida a quem conhece Harry Potter e seus amigos. Ele promove um encontro entre os personagens e seus admiradores nas salas de cinema. Não há grandes surpresas – as principais são bem-vindas –, muito menos a sensação de que algo está fora de lugar. O filme consegue dosar, na medida certa, ação, drama, romance, comédia e suspense. O ritmo veloz de algumas passagens é intercalado pela calma de outras, numa operação quase que matemática. A magnitude dos desafios que Harry (Daniel Radcliffe), Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) têm pela frente é sentida logo no início do filme. Na primeira sequência, vemos Rufo Scrimgeour (Bill Vighy), ministro da Magia, anunciando tempos sombrios em virtude da ascensão de Voldemort (Ralph Fiennes) – a cena faz lembrar filmes como Independence day, quando o presidente dos Estados Unidos anuncia em rede nacional a catástrofe que se aproxima. Em seguida, intercalam-se imagens de Harry, Rony e Hermione se “despedindo” de seus lares. A decisão já está tomada. Para destruir as Horcruxes, objetos que abrigam parte da alma do Lorde das Trevas, e assim aniquilá-lo, precisam abrir mão do convívio daqueles que mais amam. Devem lutar pelo bem maior. Harry, Rony e Hermione saem então pelo mundo à procura das Horcruxes. Sem a proteção de Dumbledore (Michael Gambon) e caçados por Voldemort, eles precisam enfrentar uma jornada onde seu maior inimigo é o medo de falhar. Nesse contexto, a amizade dos três é colocada à prova e uma confusão de sentimentos ganha destaque – embora tenham poderes mágicos, eles são tão humanos quanto nós. A profundidade do enredo e os conflitos dessa relação geram as cenas mais engraçadas e dramáticas do filme. Emma e Grint brilham. Eles estão maduros em cena, com atuações acima da média. Radcliffe, apesar de estar bem em seu papel, fica em segundo plano em algumas situações. Chega a parecer apagado. No quesito ação, quando a adrenalina entra em cena, Relíquias – Parte 1 não deixa a desejar. A perseguição promovida pelos Comensais da Morte à Harry Potter nas ruas de Londres faz lembrar filmes do 007. E a invasão ao Ministério da Magia e a luta entre Harry e Nagini, a cobra de Voldemort, são de tirar o fôlego. Que bom que os bruxinhos podem aparatar! Por causa do feitiço que os permite desaparecer de um local e aparecer em outro, conseguem escapar da morte várias vezes. É nessa hora que o poder de convencimento dos efeitos visuais aparece. Sem dúvida, o filme é impecável nesse sentido. O grau de realidade atingido supera o das seis produções anteriores. Aliás, é graças a um excelente recurso gráfico que a história das relíquias da morte é introduzida no filme. Enquanto Harry, Rony e Hermione se veem às voltas com a procura das Horcruxes, descobrem que Voldemort está tentando obter um objeto mágico capaz de torná-lo um bruxo invencível – uma das relíquias. A explicação sobre elas é a passagem mais didática da trama, e talvez a única que ajude aquele que não é versado em Harry Potter a entendê-la. Relíquias – Parte 1 também não é uma produção para crianças. Yates consegue completar a transição dos bruxinhos do mundo infantil para o mundo adulto, que iniciou em A ordem da fênix, sem dificuldades. Não há pudores nas cenas com tortura, mortes, sangue e nudez. Ao final do filme, fica a sensação de que Yates foi coerente com a mensagem de Rowling. Ele mantém o caráter episódico da história e faz um filme fiel ao livro. O diretor e seu roteirista, Steve Kloves, não saem muito do trilho, justamente para não desagradar àqueles que esperam do último longa de Harry Potter uma adaptação que faça justiça à grandeza da história. Obviamente, produções cinematográficas devem buscar dar a um texto literário uma roupagem própria. Devem transformar literatura em cinema. Nessa passagem, porém, precisam respeitar a essência da obra original. Em Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 1, isso foi alcançado. É pouco provável que não ocorra o mesmo no derradeiro episódio que estreia no ano que vem. Se isso realmente acontecer, fãs como eu ficarão contentes."
Cinema com Rapadura
ϟ “Harry Potter e as Relíquias da Morte” é um excelente filme de guerra. Isso mesmo. Filme de guerra. Inúmeras serão as críticas e artigos que avisarão que este é o longa mais sombrio da série. Os jornalistas não estão enganados, porém não podiam ser mais óbvios. O adjetivo “sombrio” é usado para descrever a série desde “O Prisioneiro de Azkaban”. À medida que Harry foi crescendo, os perigos e as perdas que enfrentou também foram se tornando maiores. Voldemort, o vilão eterno, ganhou força e, nesse sétimo capítulo, se tornou um mal mais do que ameaçador. Claro, os filmes da saga foram se tornando cada vez mais sombrios. Nada, entretanto, se compara a esse. Nessa aventura, Harry, Ron e Hermione se tornam heróis plenos, responsáveis não apenas por salvar a escola de magia e bruxaria de Hogwarts, mas por salvar o mundo. O grande mérito, não apenas de J.K. Rowling, que construiu a história até esse ponto, mas também de todos os cineastas responsáveis por levar os livros à tela, é fazer com que os espectadores acompanhem os sete anos da vida desses pequenos bruxos. Vimos Harry sofrer vivendo com os tios, descobrir a magia dentro de si, fazer amigos, aprender feitiços, se apaixonar, perder entes queridos… Foram sete episódios com muita história que prepararam leitores e audiência para o grande final. A apresentação dos personagens e o desenrolar de suas vidas é essencial para emocionar nessa primeira parte do encerramento da série. Em seu último ano em Hogwarts, Harry decide não voltar à escola, mas partir para encontrar as sete horcruxes, pedaços de alma de Voldemort. É sua função encontrar todos os objetos que ainda faltam (quatro) e destruí-los. Só assim o lorde das trevas será derrotado. Claro que Harry não vai sozinho. Ron e Hermione são parte fundamental da aventura. O cenário para a jornada do trio não poderia ser pior. Nenhum dos três tem ideia de por onde começar e, enquanto isso, família e amigos correm riscos. As primeiras cenas desse longa metragem mostram Hermione apagando a memória dos pais. Para garantir que eles sobreviverão à guerra, a feiticeira apaga seu rosto em cada uma das fotos de sua casa. Emma Watson faz a cena brilhantemente. Se antes a atriz abusava das caretas, nesse filme ela está fantástica. Sua atuação é sutil e, nos pequenos gestos no decorrer do filme, ela demonstra o pesar de quem abandonou a família e não sabe ao certo se terá um futuro com Ron. O romance entre os dois, aliás, é algo que finalmente transparece. Nos filmes anteriores, Harry, por ser o heroi da saga, sempre ganhava a atenção de Hermione. Aqui é visível o interesse dela em Ron, assim como o ciúme dele por Harry, um mérito de Rupert Grint. Todos os três astros de “Harry Potter e as Relíquias da Morte” amadureceram. É impressionante vê-los carregando toda essa dor ao longo do filme. Uma dor que, com certeza, foi acumulada após cada uma das perdas narradas no decorrer da aventura. A grande atuação dos três, entretanto, ganha ainda mais peso com o elenco de apoio. Além dos já conhecidos personagens, que voltam para proporcionar alívio cômico e dar ainda mais vida à realidade mágica, conhecemos outras figuras, como Mundungus Fletcher. Se o mundo mágico tivesse jogo do bicho, Mundungus seria bicheiro. As correntes de ouro, a careca mal cuidada, a vaidade cafona. O personagem transparece a charlatanice até no jeito de falar. Xenófilo Lovegood, pai de Luna, é outro achado. Tão perdido quanto a filha, o personagem, interpretado muito bem por Rhys Ifans, mistura a comédia e o drama em uma única cena. É irresistível assistir à construção da cena e do personagem. Há tantos momentos fantásticos de atuação que é difícil comentar cada um deles. Jason Isaacs como Lúcio Malfoy, James e Oliver Phelps como os irmãos gêmeos de Ron e Julie Walters como Molly Weasley são alguns dos nomes que com certeza arrancarão soluços. Se não nessa primeira parte de “Relíquias da Morte”, com certeza na segunda. Uma decepção, entretanto, é a atuação de Helena Bonham Carter como Bellatrix Lestrange. Se a atriz já estava insuportável nos filmes anteriores, agora ela destoa de toda calma e sutileza do resto do elenco. Ao dividir a cena com Emma Watson, por exemplo, que demonstra uma Hermione madura e sábia, a atriz parece uma criança. Não há nada ali de natural. Ela é caricata, exagerada e, francamente, patética. Os dramas e interações entre os personagens são tão bem construídos que não dá para esquecer por um minuto o que aqueles momentos significam. Há tensão ali. A tensão de uma guerra iminente. As cenas de ação fazem jus à atmosfera construída. O texto, convenhamos, não era lá dos mais ricos nesse aspecto. No livro, Harry, Ron e Hermione ficam mais tempo acampados e decidindo o que fazer do que com a mão na massa de fato. A falta de ação na história fez com que os fãs ganhassem ainda mais com a divisão da trama em dois filmes. Essa é, com toda a certeza, a mais fiel das adaptações. Com mais tempo, roteirista e diretor puderam trabalhar em cada um dos detalhes da trama. O diretor David Yates fez um trabalho fantástico. Ele foi responsável pelo amadurecimento não apenas dos atores, mas também da trama. Compare o primeiro filme da série, dirigido por Cris Columbus, e esse último. São completamente diferentes. Uma obra que vai da ingenuidade ao pesar. Pesar combina mais com a história triste de Harry Potter. Desde que assumiu a saga, Yates tem conduzido o drama com qualidade. A cada filme o diretor colocava Harry Potter um passo a frente para alcançar os grandes épicos. A prova do desafio enfrentado por Yates foi dividir a última parte da saga em dois. O diretor conseguiu incluir, no ponto de corte, drama e ação. O final dessa primeira parte não é nada brusco. Faz sentido e nos deixa com vontade de mais. Não tenho dúvidas de que “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, partes 1 e 2, estarão entre os filmes mais marcantes da história do cinema, seja pela contribuição de Harry Potter na formação da cultura pop, pela qualidade dramática do longa metragem ou pelas excitantes cenas de ação. Assistimos ao desenrolar dessa guerra, que ainda não terminou e que, com certeza, renderá momentos ainda mais marcantes em sua segunda parte.
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Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
16 de nov. de 2010
Novas criticas brasileiras de Relíquias da Morte - Parte 1
Vírgula
ϟ “Estes são tempos sombrios, não há como negar. Enfrentamos a maior ameaça de todos os tempos”, anuncia o ministro da Magia Rufus Scrimgeour (Bill Nighy) na abertura de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1. A declaração dá logo o tom da jornada de mortes, dor e solidão que enfrentarão Harry Potter, Hermione Granger e Ron Weasley, e todos os cúmplices – passada fora de Hogwarts, o que já dá um sabor diferente dos outros filmes da franquia. No filme, Harry corre contra o tempo e dos fiéis Comensais da Morte de Lord Voldemort (Ralph Fiennes, caricato na media certa) para destruir as Horcruxes, que guardam parte da alma do superbruxo. No caminho, descobre a existência de três poderosos objetos no mundo da magia: as Relíquias da Morte (A Capa da Invisibilidade, A Pedra da Ressureição e A Varinha das Varinhas, sendo o último ítem parte do clímax final). Para quem não leu os livros, há uma boa explicação no momento em que o trio vai à casa de Xenophilius Lovegood (Rhys Ifans) buscar o significado do símbolo no pingente do editor d’O Pasquim – tudo em forma de animação, uma boa escolha do diretor David Yates. A característica de road movie do filme faz tudo parecer pungente desde o início. Nenhum lugar é seguro. Há morte nos primeiros minutos e próximo da divisão da parte final (já revelada anteriormente aqui *spoiler*), mas os momentos mais tristes são aqueles protagonizados pelo trio interpretado por Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint. Carregados de emoção, os atores entregam seus melhores performances até aqui. Destaque para Grint, que sempre foi apoio cômico da história e agora mostra todo o amadurecimento como ator nas discussões com Harry no filme, em especial a que fala sobre o medo de ouvir o nome dos pais na lista de mortos divulgada pela rádio depois do terror espalhado por Voldemort. Algumas passagens são de extrema melancolia, como nos primeiros segundos do longa em que Hermione usa o feitiço Obliviate para apagar a memória de seus pais “trouxas” e parte na perigosa jornada que pode ou não conceder-lhe o retorno pra casa; ou quando Harry e Hermione vão ao túmulo dos pais do bruxo em sua cidade natal, Godric’s Hollow. Há também desentendimentos entre eles, que foram obrigados a crescer de uma hora para outra. Sem pais e sem a ajuda dos professores, eles ficam à flor da pele e ainda sujeitos a influência de uma das Horcruxes que revezam no pescoço – na tentativa frustrante de tentar destruí-la. Embora esteja sempre tenso, há momentos engraçados para quebrar o clima pesado, como a já comentada cena em que o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Alastor Olho-Tonto Moody (Brendan Gleeson), dá a poção polissuco aos amigos de Potter e os transforma em seus semelhantes – o plano é despistar os Comensais da Morte. “Foi uma cena com efeitos especiais altamente desenvolvidos. Para filmá-la, foram necessários 95 takes”, disse Radcliffe em entrevista ao Mugglenet no final de outubro. E ainda deu oportunidade do ator mostrar sua capacidade de interpretar os trejeitos de cada personagem. Entre as novidades da parte técnica, está Eduardo Serra, responsável pela bela fotografia do filme – tão sombria quanto o EdP, mas não tão escura quanto ele. Natural de Portugal, o profissional esteve por trás das igualmente belas fotografias de Diamante de Sangue e Moça com Brinco de Pérola. Destaque também para a trilha sonora, assinada pelo versátil Alexandre Desplat (O Escritor Fantasma, O Fantástico Senhor Raposo e A Bússola de Ouro), menos formal que as de John Williams, sem contar com a canção O Children, de Nick Cave and the Bad Seeds, que toca em uma cena doce com Hermione e Harry. O time de efeitos especiais e efeitos visuais dá um show em tantos momentos que fica difícil escolher o melhor. Com certeza deve render uma indicação ao Oscar 2011. Mesmo sendo difícil avaliar o filme pelo fato de ser uma passagem de O Enigma do Príncipe para a parte final (que estreia no dia 15 de julho de 2011), todo esse conjunto – formado pelas melhores performances do trio, técnica competente, jornada fora do escola de magia, entre outras qualidades – permite classificar o filme como o melhor da franquia até agora. Mas o mais emocionante de tudo é ver que toda uma geração, a chamada Geração Harry Potter, cresceu com a franquia, baseada na ótima literatura de JK Rowling e um exercício de cinema ao longo dos anos. Os personagens foram amadurecendo na tela, enquanto os fãs cresciam no mundo real. Aqueles temas infantis abordados no início deram lugar a questões morais e existecialistas, um paralelo com a formação de cárater do público que os acompanhou."
Omelete
ϟ "Se Harry Potter e o Enigma do Príncipe foi o início da “trilogia” que vai encerrar a maior franquia cinematográfica de todos os tempos, Harry Potter e as Relíquias da Morte, apesar da Parte 1 do título, é o meio. Sendo assim, fica difícil analisá-lo com os mesmos critérios normalmente empregados em críticas cinematográficas. Como fragmento de algo maior, este Harry Potter simplesmente não se sustenta como entretenimento casual, com começo, meio e fim. Para apreciar Relíquias da Morte – Parte 1 é preciso ser devotado à franquia. Referências a um sem-fim de detalhes dos outros filmes – e livros -, todas imprescindíveis para a compreensão deste capítulo, tornam esta uma experiência totalmente dedicada aos fãs. Há quem entenda isso como uma aberração cinematográfica, mas definitivamente esta produção não é voltada a esse tipo de público. É justamente o respeito às pessoas que estão há uma década ao lado de Harry, Ron e Hermione, algumas que, literalmente, cresceram ao lado do trio, o que torna este filme tão especial. A decisão de dividir o último dos livros da saga Harry Potter, um dos maiores em volume, em dois filmes, ainda que funcione maravilhosamente bem dentro das intenções mercadológicas da Warner Bros., é excepcional em termos de fidelidade narrativa ao material original. Com 2h30 de duração para cobrir 60% do livro, a adaptação tem tempo de sobra para levar os acontecimentos do romance às telas sem os atalhos que os demais filmes se acostumaram a fazer. Tanto que isso até evidencia os defeitos dos demais, cheios de cortes em nome da duração mais curta, algo que rende mais sessões por dia (e por consequência, lucro). Analisemos por exemplo, Dobby, o elfo doméstico (voz de Toby Jones). O personagem teve destaque no cinema no segundo filme e depois desapareceu das telonas, ainda que na série literária tenha permanecido relevante. Assim, sua volta no sétimo filme, cheio de importância, parece completamente gratuita para quem apenas o conhece do cinema. Nada que prejudique a diversão, porém, para a verdadeira nação de fãs do jovem bruxo, que conhecem cada uma das referências, entendem a relevância dos personagens e subentendem acontecimentos. Ainda que entendam perfeitamente seu público-alvo, o diretor David Yates e o roteirista Steve Kloves, pela terceira e sexta vez na série, respectivamente, não se acomodam no que comprovadamente funciona para essas adaptações ou limitam-se em entregar o esperado. Uma das preocupações que mais devem ser exaltadas na série Harry Potter é justamente esse crescimento contínuo. Cada um dos responsáveis pelos filmes deu aos fãs um pouco mais de qualidade cinematográfica, desenvolvendo-o conforme as histórias ficavam mais complexas e discutiam temas mais densos, e Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 mantém essa tendência. O tom da adaptação continua sombrio, como Yates já tratava elegantemente a série desde o quinto filme, mas desta vez há sequências ainda mais adultas, violentas (prepare-se para alguma tortura e sangue) e dramáticas, tanto que fica difícil classificá-la como uma fantasia. Há, claro, três ou quatro cenas de ação, mas elas estão muito distantes dos animados embates dos primeiros capítulos da franquia. Entre cada uma delas há longas (corajosamente longas, pensando na grande parte do público acostumado a esse tipo de produção) cenas em que muito pouco acontece além da tensão recorrente da solidão de três adolescentes tendo que, pela primeira vez em suas vidas, assumir as rédeas de seus destinos, sem professores, pais ou responsáveis. Essa nova realidade, distante dos muros protetores de Hogwarts, dá ao trio protagonista (Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint) seus melhores momentos na série como atores. Especialmente Grint, que enfim consegue deixar de ser o amigo-alívio-cômico para disputar de igual para igual com Radcliffe o foco da atenção. Não é por acaso que Martin Scorsese andou dizendo que o ruivo é o “próximo Leonardo DiCaprio”. Ele realmente aprendeu a atuar. A trama começa com a ameaça dos Comensais da Morte de Lorde Voldemort (Ralph Fiennes) tomando proporções alarmantes, tanto que Harry, Ron e Hermione precisam tomar providências para proteger seus familiares. Com o inimigo enfim agindo impunemente, é preciso enconder Harry Potter, que se torna a última esperança da resistência dos bruxos para impedir o reinado de Voldemort. Com a queda do Ministério da Magia, porém, a situação se complica – e os três amigos partem em busca dos únicos artefatos que podem parar de uma vez por todas esses eventos: as horcruxes. Essa busca é evidenciada pela bela fotografia de Eduardo Serra, novato na franquia, que traz cores e grandiosos cenários naturais até então inéditos à saga. Outro que traz novidades é Alexandre Desplat, cuja trilha sonora evoca quase nada os temas fantasiosos iniciados por John Williams. É ótimo ver esse tratamento adulto de um tema nascido para crianças – Harry Potter, com tudo isso, cumpre seu papel como formador de público, refinando olhares e desenvolvendo em seus fãs o apreço ao tempo do cinema. Infelizmente, não termina – a Parte II só em meados do ano que vem -, ou poderia ser o melhor filme da série até aqui, algo que, se tudo continuar na direção certa, deve acontecer depois de 15 de julho de 2011."
Judão
ϟ "Eu não sei dizer o dia exato, mas lembro exatamente de quando em um sábado de Julho de 2007 eu fui até o shopping, numa livraria, comprar o meu exemplar de Harry Potter and the Deathly Hallows. Sim, em inglês, pois no domingo eu viajaria para a Comic-Con e, sinceramente, eu me recusava a tomar spoiler na cabeça. Ainda mais estando lá. Comecei a ler o livro no avião, continuei lendo durante os dias que antecederam o evento. Depois que começou, eu também lia, mas sabe quando você tem oitocentas e oitenta e oito milhões de coisas na cabeça e nem presta lá muita atenção? …e essa foi a única vez que eu li o livro. Assisti recentemente Harry Potter e o Enigma do Príncipe e, dessa vez, não foi tão ruim quanto quando eu vi pela primeira. Ainda é um filme fraco. Me empolgou para Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 o suficiente pra eu ir atrás do livro e tentar lê-lo em três dias. Nem cheguei perto do livro. E acho que isso foi uma das melhores coisas que eu podia ter feito. Pra mim, é bem simples: se um filme é uma adaptação, eu tento vê-lo primeiro como filme e depois como adaptação. Uma boa adaptação pra mim é aquela que transforma, no caso, um livro em um filme. Não tentam fazer do livro um filme — como nos dois primeiros, que são péssimos, como filmes. E como adaptação. E como fazer isso? Bom, eu não sei fazer. Mas David Yates e Steve Kloves conseguiram fazer direitinho. Não há uma só cena que a gente percebe que foi claramente colocada ali só porque tem no livro. Os pontos principais estão lá. E eu sei que estão, pois é basicamente isso que eu me lembro do livro. E ainda com a história tendo um ritmo sensacional, que faz parecer que as 2h26 são na verdade 40mins, sério… Harry Potter e as Relíquias da Morte é o melhor filme AND adaptação da franquia. E veja: eu nem tou falando “Parte 1″. Harry Potter… Do primeiro ao último, os livros amadureceram, os filmes amadureceram, os leitores, os espectadores, os atores. As histórias se tornaram “adultas”, o pessoal que ia assistir ao primeiro filme como pré-adolescente hoje são maiores de idade. Mas os atores? Bom, enfim eu posso dizer que temos três atores. Sim, amigos. Daniel Radcliffe, no último filme, conseguiu ser Harry Potter. O personagem ainda não é aquele dos livros, e agora já é tarde demais pra ser. Mas há humor, há emoção, há motivos suficientes para acreditar na sua interpretação. Há, de fato, um trio dessa vez. Há, de verdade, três melhores amigos capazes de arriscar absolutamente TUDO por essa amizade, em busca de Horcruxes, contra tudo e contra todos. Rupert Grint melhorou o seu timing pra comédia e deixou de ter aquela cara de bobo, conseguindo usar o corpo pra se expressar também. A Emma Watson… Essa é atriz faz tempo. Tem um bom futuro pela frente. Tou até agora ecoando o choro e os gritos dela na minha cabeça… De verdade. É perturbador. E ela conseguiu. E é engraçado — e culpa de David Yates, que agora teve MUITO mais tempo para desenvolver uma história tão violenta, tão profunda para esses personagens — que mesmo outros atores, que nunca foram lá muita coisa, tiveram chances de mostrar os motivos, pelo menos, pelos quais passaram nos testes. Até a Bonnie Wright está bem. Ela realmente parece ter tesão pelo Harry, que a beija com mais vontade que Scott beijou Ramona. OU SEJA…e as Relíquias da Morte O sétimo filme de Harry Potter finaliza uma saga que deu muito dinheiro a seus produtores, atores, ao estúdio, à sua criadora, J.K Rowling. Mas é uma saga — livro e filme — que colocou a fantasia de volta na mente de muita gente que nem lembrava mais o que era isso. Ou nem sequer sabia. Uma saga que fez muita gente ler. Sim, porque é isso. Fãs serão fãs sempre, do que for, e serão todos iguais, muitas vezes defendendo e comparando coisas que não precisam de defesa ou são incomparáveis. Mas Harry Potter e as Relíquias da Morte está aí pra todos. Agradece, contemplando fãs, dos livros, dos filmes, da HISTÓRIA, que jamais conseguiram colocar outros rostos nos personagens principais das suas cabeças, com uma produção visualmente bonita, com uma história que tem tempo de ser contada, e adaptada ao seu tempo. É o fim de uma história que não deveria terminar. É o fim de uma história do jeito que ela merece ser terminada. O fim de uma história que a gente fica feliz por ter acompanhado. Mesmo que ainda falte um filme. Agora me dá licença que eu vou lá pegar o livro e devorá-lo…"
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Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
15 de nov. de 2010
Novas críticas de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1
Variety
ϟ "Harry, Rony e Hermione abandonam sua segurança em Hogwarts em Harry Potter e as Relíquias da Morte, para esta negra e desesperadora adaptação do penúltimo episódio da adaptação cinematográfica da épica fantasia de J.K. Rowling. Para os três bruxos adolescentes entrando na selvageria da batalha contra Lorde Voldemort, o diretor David Yates tornou a série mais expansiva, estruturalmente como um capítulo independente – pesado e emocionante em alguns tempos e banhado com um profundo senso de solidão e derrota. Assim feito, a lealdade aos livros não será arruinada, não inconclusivamente, lançando incríveis retornos e ascensões de memórias e expectativas para um espetacular final. Enquanto o sétimo livro já está disponível há algum tempo, a audiência global aos filmes não mostra sinais de ter perdido o interesse na franquia da Warner Bros.; no último ano, Harry Potter e o Enigma do Príncipe fez uma das mais fortes performances da série, com 934 milhões de dólares. Mesmo não havendo a exibição 3D para a Parte I, não há razão para que não continue, com a audiência prometendo uma entusiástica presença para a Parte II, que será lançada em 15 de Julho (em 3D, para compensar). Bem antes do fim do sétimo filme – com a morte de um personagem recorrente e um golpe assustador para o Lorde das Trevas – deixou-se claro que não havia modo de ser fiel a “Relíquias da Morte” sem dividi-lo em dois. Afora os benefícios comerciais, simplesmente há estória demais para abranger de uma só vez, até mesmo com Steve Kloves fazendo seus sensatos cortes no que é facilmente a trama mais desregrada de Rowling – um empolgante e alvoroçado épico que traz sua complicada mitologia a um fim bagunçado, mas satisfatório. Como resultado disso, e talvez com um pouco de sua própria culpa, o filme de Yates parece por vezes tropeçar sob o peso de sua própria exposição. Com a tarefa de encontrar e destruir as Horcruxes restantes (objetos amaldiçoados contendo fragmentos da alma de Voldemort), o trio principal precisa percorrer caminhos indefinidos, decodificar misteriosos símbolos e pesquisar nomes com os quais não estão familiarizados no mundo da magia, tudo em tamanha agitação que talvez até mesmo os familiarizados com os textos precisem de um fluxograma. Ainda assim, os produtores precisam ser aplaudidos por não favorecem aos poucos “virgens de Potter” que possam estar na platéia, e por empurrar a série além de indesculpáveis domínios obscuros. Um comovente prólogo determina os sacrifícios que Harry (Daniel Radcliffe), Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) precisam fazer para proteger suas famílias diante de uma nova ordem mundial, pois agora o todo-poderoso Voldemort (Ralph Fiennes, cruelmente exigente) trama a destruição de Harry. Pela primeira vez na série, o perigo realmente se esconde atrás de cada esquina; parece haver um novo ataque de Comensais da Morte a cada 10 minutos, e a contagem de corpos aumenta vertiginosamente enquanto Yates desenvolve um caótico cenário gerado por computador após o outro: uma empolgante missão para acompanhar Harry em segurança com a ajuda de iscas mágicas; um casamento que termina em catástrofe; e uma desafiante incursão no Minstério da Magia, que tomou definitivamente um ar de Terceiro Reich na sua perseguição de bruxos nascidos trouxas, supervisionada pela detestável Dolores Umbridge (Imelda Staunton). Mas o destaque emocional de “Relíquias da Morte” é um constante trecho no qual nossos herois buscam refúgio na floresta, e o laço forte da amizade de Harry e Rony parece se afrouxar enquanto eles combatem a frustração, a incerteza e os ciúmes pela afeição de Hermione. É um interlúdio esgotante e depressivo, marcado por um sentimento forte de isolamento (e lindamente filmado nas praias de Blighty Burnham) que pode entediar alguns espectadores, mas como a maior das reviravoltas nos relacionamentos fundamentais da saga, apresenta Radcliffe, Grint e Watson em seus melhores momentos. É verdade que Yates alcança seus mais significativos efeitos não com duelos de bruxos ou com as visões dolorosas de Harry (das quais há muitas espalhadas), mas com silêncios arrastados e momentos de privilegiada intimidade; uma passagem que se destaca, nas quais as “Relíquias da Morte” são explicadas, faz uso extenso de animação, que não foi vista desse modo até agora na série. Yates está destinado a ser o diretor mais associado com a franquia, pelo fato de ter guiado mais filmes da série do que qualquer um, e se seu trabalho nunca obteve o peso poético de “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” de Alfonso Cuarón, ele pelo menos guiou três ou quatro filmes com um estilo fortemente elegante. “Relíquias da Morte” segue com uma impiedosa seriedade em seu propósito e um efetivo terror, e alguns momentos ocasionais de descontração, a maior parte deles cortesia dos irmãos gêmeos de Rony, Fred e Jorge (James e Oliver Phelps), são mais bem vindos do que nunca, mesmo que eles não estejam sempre graciosamente encaixados. Com esparsas cenas de mutilação e tortura (administradas pela psicótica Belatriz Lestrange de Helena Bonham Carter), o filme é notoriamente mais sangrento que os anteriores, embora seja apenas uma prévia do que está por vir. Entre os novos atores que mantêm o alto nível de atuação do filme, está Bill Nighy, que tem garantido mais tempo em tela como o novo Ministro da Magia; Peter Mullan como um Comensal da Morte particularmente perverso; e Rhys Ifans como o nem tão confiável pai de Luna Lovegood (a adorável Evanna Lynch). Vale também mencionar Toby Jones, que retorna como o dublador de Dobby, o elfo doméstico (antes uma irritante personagem ao estilo Jar Jar Binks, mas agora uma nobre figura). Além disso, estampando “Relíquias da Morte” com uma nova identidade cinematográfica, Yates convocou os talentos do compositor Alexandre Desplat, trazendo uma excelente e fina trilha sonora com poucos traços de John Williams, e o diretor de fotografia Eduardo Serra, cujas tomadas panorâmicas têm um contraste perfeito com o tom chiaroscuro das mais recentes fotos do set de Hogwarts."
HitFix
ϟ "Após presenciar o muito esperado, “Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1”, é justo dizer que o diretor David Yates continuou seu ótimo trabalho em trazer uma visão mais sofisticada, elegante e moderna do fantástico mundo do jovem bruxo favorito de todos, para a telona. A experiência de Yates com “Ordem da Fênix” e “Enigma do Príncipe” lhe serviu bem, como fica claro em sua administração da franquia, que se aperfeiçoa bem a tempo do último capítulo. Em geral, “Relíquias da Morte” devia ser avaliado como o melhor “Potter” desde “Prisioneiro de Azkaban”, de Alfonso Cuarón, mas nós saberemos mais quando a segunda parte chegar aos cinemas em Julho de 2011. Os fãs do livro não ficarão desapontados ao encontrarem mais detalhes nessa adaptação do que em qualquer outro dos capítulos anteriores (ou pelo menos desde o inaugural “Pedra filosofal”, quase uma década atrás). É claro que, conforme críticos observaram, a autora JK Rowling encaixou na versão literária de Relíquias da Morte mais traços de um roteiro tradicional, do que em seus livros anteriores. E também com o fato do filme ser dividido em duas partes, o que ajuda a manter fãs que não leram os livros (assim como esse escritor) vidrados na tela. Houve muita conversa sobre a franquia “Potter” ser recompensada pela Academia e Indústria por uma década de filmes de qualidade (e sem mencionar blockbusters), mas uma premiação de melhor filme não acontecerá para a parte 1. O que esta metade da história de Relíquias da Morte faz, entretanto, é montar a base para o emocionante capítulo final que poderia facilmente encontrar seu caminho para uma indicação em 2011. Especialmente com o aperfeiçoamento do estilo visual seguro de Yates gerando uma porção de novas imagens icônicas para a série. Ainda que neste ano, a trilha de Alexander Desplat tenha somente um breve traço do famoso tema “Potter” de John Williams, seu trabalho pulsante e épico poderia claramente encontrar caminho para a disputa de melhor trilha sonora original. Yates usa um novo cinegrafista dessa vez, Eduardo Serra, e o duplamente indicado ao Oscar, apresenta uma variedade de lindas imagens, e principalmente sabe quando usar a luz do sol, no que poderia ter sido um filme completamente escuro. O lendário produtor de design, Stuart Craig, vencedor três vezes, não é indicado desde o “Cálice de Fogo” em 2006, mas com literalmente nenhuma cena na familiar escola de Hogwarts, seu trabalho impressionante ao redor de numerosas regiões rurais inglesas pode levá-lo até a platéia do Teatro Kodak mais uma vez. Maquiagem, figurino e efeitos visuais também serão sérios competidores. Os efeitos são especialmente fortes na melhor captura de movimentos de Dobby, que aparece como um novo elfo, e Monstro, até agora, assim como em uma espetacular sequência aérea no início do filme. Também é um grande alívio que toda a maravilhosa parte visual da equipe não tenha sido afetada pelo processo de conversão para 3D. As emoções e dramas do roteiro são envolventes o suficiente. O filme em si não precisa de nenhuma distração. E é claro, a melhor coisa sobre a Parte 1 é que deixa você querendo ver a Parte 2 o mais rápido possível."
MTV Brasil
ϟ "Hollywood conhece bem suas regras e sabe segui-las. É um negócio lucrativo, capaz de resistir a crises e, até o momento, as grandes mudanças na tecnologia. Os estúdios de Los Angeles foram os responsáveis pela criação dos blockbusters, pelos grandes épicos e sabem o que entregar ao público, pois foram eles quem escolheram os elementos desse cenário lá atrás, quando os grandes épicos da MGM levavam nossos pais e avós ao cinema, um tempo em que ainda se vestia terno e chapéu no programão de domingo. A inspiração nos clássicos e na Bíblia abasteceu essa indústria antes da onda de originalidade dos blockbusters no finzinho dos anos 70, mas a ligação entre cinema e literatura nunca terminou. É mais seguro levar uma obra conhecida, e, normalmente, admirada aos cinemas do que criar algo totalmente novo. Vivemos um novo momento nesses ciclos hollywoodianos com as histórias e quadrinhos, mas também com as adaptações literárias. E elas são muitas. Entretanto, não é só ao sucesso inquestionável de Peter Jackson com O Senhor dos Anéis que essa dinâmica se construiu ao longo dos últimos dez anos, mas também a Harry Potter, assumidamente uma maçaroca cultural e literária montada por J.K. Rowling e que, depois de nove anos nos cinemas, inicia sua conclusão com Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1. É um filme evento, claro, mas David Yates faz uso do precedente aberto por Zack Snyder, em Watchmen – O Filme, e banca o diretor birrento ao ignorar as leis de Hollywood, seu formato “garantido” de sucesso e, no primeiro ato de sua conclusão, entregar um festival de atuações marcantes, com um ritmo próprio e, felizmente, despreocupado com as caraminholas inventadas pelos executivos do estúdio. Mais que conhecer sua indústria, Yates e Rowling sabem que têm público cativo, têm o interesse mundial nas mãos e, acima de tudo, têm a chance de mostrar que a dobradinha cinema & literatura só resulta numa adaptação fraca quando se pensa no dinheiro antes da qualidade. Relembrar do final anticlimático de Harry Potter e o Enigna do Príncipe pode ser um primeiro passo na preparação para o clima de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 [HP7]. A queda de Dumbledore desintegrou qualquer resquício da bolha de segurança ao redor dos personagens, mas, de forma mais efetiva, lançou Harry, Ron e Hermione num mergulho sem volta em um mundo inseguro e regido pela morte. Medo deixou se ser uma preocupação. Na guerra, vida e morte são separadas por instantes ou um leve descuido; duas constantes aplicadas a uma família forjada à base de muita dor, perda e um futuro sombrio. Ele retornaria. Ele retornou e futuro é agora. E o agora, é o fim. O início melancólico de HP7 não engana e nem precisa de meias palavras para apresentar tanto sofrimento latente. Uma última olhada no quartinho embaixo do armário; um triste adeus a sua própria identidade; um olhar por uma janela estranha e nada reconfortante. Escolhas acertadas por conta do grande trunfo do longa: o público conhece demais os personagens e, logo de cara, já sente suas escolhas e mazelas. O sentimento brota logo de cara e não para nem por um instante ao longo das 2h26 de duração. Seguindo a mesma assinatura visual dos últimos dois filmes, David Yates construiu bem sua guerra – que acontece mais no plano psicológico do que no físico, em termos de tempo dedicado no filme. De qualquer forma, não era sem tempo, afinal, Rowling vinha anunciando o grande embate entre Harry e Voldemort desde o começo da saga do bruxinho. Ha! Bruxinho! Bons tempos. Harry deixou a inocência de lado, mas, guiado pelo idealismo de sua criadora, ainda insiste no caminho da bondade suprema. Amigos, colegas, familiares… todos morrendo a sua volta e, nem mesmo assim, Potter é capaz de devolver na mesma moeda. O matar ou morrer não funciona para os mocinhos de Rowling, sempre dispostos representar seus dogmas mesmo que isso lhes custe a vida. O Lado Negro é indesejável, mas o extremo bom mocismo soa tão caricato quanto a malevolência constante, porém, como Bellatrix Lestrange é doida de pedra – além de dar a impressão de que, se puder, mata seu almoço todo dia só para o prazer de tirar uma vida sempre que possível – esse extremo do espectro é menos sentido. É o diretor respeitando a autora – e produtora. Respeito, um dos grandes diferenciais de HP7 para outras adaptações, especialmente as que tentam desesperadamente preencher o iminente vazio que será deixado pela saga. Eragon caiu no esquecimento rapidamente, Percy Jackson deve seguir o mesmo caminho, Coração de Tinta não funcionou e Cirque Du Freak foi uma vergonha. Não é preciso ser ágil, ninguém precisa ser convencido, final feliz está fora de cogitação e mesmo quem não leu os livros quer saber o que vai acontecer com Harry, Ron e Hermione. Fato. Esse trio entrou para o imaginário popular, logo, seu destino é interessante. Além de ser uma compensação por todos os anos de dedicação à série de filmes, iniciada em 2001. Sem pressa, tudo pode acontecer com profundidade. Seja um período pensativo de Harry, um lamento solitário de Hermione ou um rompante de fúria de Ron. A guerra parece ser mais pessoal, mais profunda, absolutamente íntima dentro dos personagens principais. Yates garantiu ao trio Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint todo o tempo necessário para seus ‘monólogos’ solitários, um prêmio por anos de dedicação à franquia. Cada um deles pode ampliar seus horizontes, e reconhecer limitações, em algo – na ausência de comparação melhor – similar a uma pequena peça individual dentro do filme. Toda essa contemplação, aliada um trabalho de fotografia belíssimo, natural e, pasme, simples, é a maior prova da “insurreição” de Yates às regras hollywoodianas. Se a história pedia, ele entregou. Simples assim. Exatamente como Zack Snyder fez quando pisou no freio em Watchmen para que o Dr. Manhattan fosse a Marte e contasse sua história. É o cineasta a serviço da história, independente do que pense o público menos envolvido. HP7 pode soar lento por esse aspecto, porém, jamais perde seu ritmo. É a conclusão de uma saga literária programada e extensa, não um final de trilogia criado às pressas e por demanda financeira. Faz sentido e tem suas próprias regras. A magia circunda aquele mundo e seus personagens, cujas vidas são mais surpreendentes quando as varinhas estão guardadas e notícias, normalmente tristes, chegam do campo de batalha ou de um amigo querido. Se a gênese de Harry Potter era repleta de truques, ensinamentos e deslumbre com escadarias inquietas, sua conclusão é implacavelmente crua e violenta. Rowling defende alguns conceitos de forma bem clara: heróis não matam (por enquanto); vilões são deformados ou traiçoeiros; e política e nobreza são instituições falidas (vide as constantes falcatruas atribuídas ao Ministério da Magia e a decadência dos Malfoy). A queda de Lucius Malfoy poderia ser digna de pena, não fosse a conduta subserviente e lacaia adotada pelo personagem – em grande momento de Jason Isaacs – e seu inevitável reflexo no inexoravelmente covarde Draco, inicialmente pintado como o arquiinimigo de Potter, mas que, efetivamente, nunca passou de um mauricinho mimado e incapaz de ameaçá-lo de verdade. É a vitória dos mestiços, os half-bloods; o eterno sonho da plebe britânica em se unir à realeza, a síndrome de Diana. Aliás, o racismo e o preconceito contra trouxas e mestiços são abordados em HP7, mas de forma tão aleatória e ineficaz quanto as aparições de Voldemort, mais presente como ameaça psicológica que como inimigo efetivo. O grande vilão ainda não teve sem momento, ainda é uma ameaça assustadora, mas arisca e distante. Assim como num jogo de videogame, Harry parece precisar superar todos os obstáculos do mundo para poder lutar contra o chefão. Longa duração, grande atenção para dilemas pessoas do trio principal, mas, como em toda reta final, muita gente precisa aparecer e o resultado são participações relâmpago. Alan Rickman é uma delas, tendo apenas duas cenas; assim como Imelda Staunton, que retorna como Dolores Umbridge, e o recém-chegado, e logo despachado, Bill Nighy, como Ministro da Magia. Brendan Gleeson é uma das maiores lástimas, primeiro pelo descaso com que o destino de Olho-Tonto é apresentado, segundo pela perda do último personagem disposto a lutar de igual para igual contra os Comensais da Morte. Hagrid também aparece pouco. Menção honrosa para Edwiges, que tem dois momentos e ganha a eternidade com seu sacrifício supremo. No final das contas, fica a impressão de um grande desfile de rostos conhecidos, novos nomes que não chegam a ser relevantes o suficiente para serem lembrados e o embate com o aspecto sem face da maldade de Voldemort. Seus agentes provocam o caos, matam sem piedade, mas usam máscaras; não tem identidade; apenas simbolizam sua opressão e sangue frio. Claro, reflexo direto da opção pelo foco total em Potter, Hermione e Weasley e sua jornada para encontrar e destruir os horcruxes de Voldemort e também da natureza binária da narrativa. são duas partes de um gigantesco último filme, o que modifica a estrutura e, no futuro, ganhará mais força quando for possível assistir aos dois, em seqüência, e sem meses de intervalo. Analisando HP7 como produto independente – sem apoiar suas escolhas no roteiro do livro e nos detalhes dos personagens – nota-se grande preocupação com a ambientação e a construção do verdadeiro clímax dessa história, que só acontece na Parte 2. Entretanto, a simples noção do embate entre Harry e Voldemort desintegrou-se com a destruição das varinhas irmãs e a introdução das Relíquias da Morte, um conceito apresentado apenas no livro final. Três artefatos feitos pela Morte. Dois deles conhecemos: a capa da invisibilidade usada por Harry e a varinha de Dumbledore, um deles ainda é um mistério; a pedra capaz de ressuscitar os mortos. Sua descoberta é tão importante quando a destruição dos horcruxes – que tornará Voldemort mortal novamente -, pois quem reunir as três peças, terá o controle sobre a Morte. Enquanto nada disso acontecer, ser amigo de Harry Potter significa poder morrer a qualquer instante. Trouxa ou elfo doméstico, coruja ou bruxo. Nenhum lugar é seguro. Nenhuma lágrima é contida. É a dura realidade da vida humana, enfrentar a mortalidade. Cabe a cada um escolher se o fará com honra e dignidade, ou desespero e sangue nas mãos. No universo de Harry Potter, vida e morte sãs as únicas constantes. Os bruxos se digladiam pela eternidade, enquanto David Yates mostra a Hollywood que é possível viver sem futilidade; dirigir sem destruir o material base; matar sem pensar no licenciamento; e ousar em benefício do público. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 é uma porrada emocional, capaz de fazer rir, sentir e chorar, um filme histórico por circunstância e magnífico por mérito. É a magia a serviço do cinema."
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Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
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